RETORNO À PESADA, ONTEM E SEMPRE

Acho que já falei sobre isto. Quem escreve crônicas sempre se repete, porque a vida se repete, e nossa matéria prima é justamente achar o que merece ser relatado no meio de agendas nem um pouco épicas. Mas podemos ficar impressionados neste garimpo existencial. Então, caros leitores, perdoem-me as eventuais repetições, e por isto o tempo é um assunto que sempre vai estar aqui, embalando não carros outrora novos e casas perdidas parcialmente na memória. Embala em um escaninho especial aquelas sextas feiras em que chegávamos de Formosa, enlameados, farda camuflada rasgada, barba e cabelos precisando de um bom corte. Muitas vezes eu achava que era um milagre nenhum de nós ter se machucado muito naqueles exercícios de selva, quase sem dormir, comendo ração R2 e vencendo não meras pistas de cordas, mas símbolos de vida. Foram muitas as cascavéis e corais, uma certa vez entrou no coturno do Vitorassi, e estávamos incólumes naquelas sextas feiras de missão totalmente cumprida, equipamento já limpo, cano do FAL visto contra a luz pelo Tenente Linhares, sem um grão sequer de poeira, parabéns guerreiro. Mas a sensação de paz já com a farda de passeio antes da formatura do quartel, a iminência da liberação para o fim de semana, aquela sensação era única e já marcava claramente que aqueles dias lá atrás ficariam marcados para sempre. Era viver o presente já com saudade, coisa que me ocorria quando ainda faltavam 4 meses para a volta para a vida civil. George, Paul, John e Ringo também sentiam isto mas não falavam. Mas cantaram dolorosamente em cima daquele prédio a magnífica “Let it be”, e tudo ficou claro. Todos aqueles anos atrás. John e George se foram, mas George havia lhe prestado uma homenagem em “All those years ago “, e ouvi muito esta canção naqueles últimos meses de Exército. Todos aqueles dias lá atrás. Romar, Samartano, Pereira, Bisol, Rusel, Dionísio, sim, lembramos nossos irmãos ao subir aquela rampa da Pesada, e cada um em sua fé e do seu jeito lhes prestamos uma homenagem em nossos corações. Como George. Em busca. Com otimismo. Mantendo a tradição e a chama. Cabeça erguida. Acho que é o que aqueles jovens em suas fardas de passeio gostariam que fizéssemos hoje. É o que vejo naquelas fotos.

Valdir Silva

I’m shouting all about love
While they treated you like a dog
When you were the one who had made it so clear
All those years ago

I’m talking all about how to give
They don’t act with much honesty
But you point the way to the truth when you say
“All you need is love”

Living with good and bad
I always looked up to you
Now we’re left cold and sad
By someone, the devil’s best friend
Someone who offended all

We’re living in a bad dream
They’ve forgotten all about mankind
And you were the one they backed up to the wall
All those years ago
You were the one who imagined it all
All those years ago..

(All those years ago)

(All those years ago)

Deep in the darkest night
I send out a prayer to you
Now in the world of light
Where the spirit free of lies
And all else that we despised

They’ve forgotten all about God
He’s the only reason we exist
Yet you were the one that they said was so weird
All those years ago
You said it all though not many had ears
All those years ago
You had control of our smiles and our tears
All those years ago..

All those years ago …

All those years ago …

All those years ago …

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