Você não passa impune por uma Maratona, aqueles infindáveis quilômetros vão estar sempre em sua mente, em cada pôr do sol, em cada passagem de ano, em cada nuvem que ver em janelas apertadas de aviões, voltando para casa, tarde da noite; você não pensa nisto o tempo todo, mas o maratonista vai estar sempre lá, selvagem, inconformado com a vida burocrática e sedentária, mesmo que seja vencido pelo sistema de vez em quando. Mas aquela energia vital, aqueles pensamentos sempre vão estar sintonizados com outros irmãos maratonistas mundo afora, mesmo que de forma latente. Mas é preciso escrever algumas frases para gravar a laser algumas impressões de alguns momentos dessas maratonas, talvez como o senhor de Talladega, obrigado Eric Church. E Chicago ficou para trás, missão cumprida, agora estávamos nós em frente Biblioteca Pública em Boston, cenário épico da mais difícil maratona do mundo – ainda mais, lá só correm os melhores amadores do mundo, índice exigido. Com direito a pórtico, e naquela imensa estrela no chão estavam os lendários Alberto Salazar, Bill Rodgers, Dick Beardsley, ali que ocorreu o duelo ao sol que me inspirou a ser corredor 35 anos atrás. Prestei minhas reverências aqueles caras, e a sexta major, corredor? Vai encarar? Entrar para a história de Boston? Talvez. Agora agradeço a Deus por estar vivo, e tem Harvard, MIT, muita história. Churrasco brasileiro com brasileiros saudosos da terra tão sofrida. Hotel, silêncio, emoção ao ouvir Third Day no fone. Estava em Massachusetts. Ouvi de novo Bee Gees e lembrei de Barry no enterro de Robin pouco tempo antes, e Barry se fortalecia em seus filhos e em sua mãe, falecida no fim de 2016. Mas o sonho daquela família talentosa sobreviveu, e naquela cidade desejei que Barry se fortaleça com apoio do que vale a pena na vida, como disse na Rolling Stone, ele merece, todos merecemos. Segunda feira, aeroporto, cadê a música, cadê a medalha, no bolso, muitas horas depois é o Brasil, a rotina. Mas as planilhas estão lá, a vida está lá, a música está lá, a razão de minha vida está lá. Chicago, Boston, Brasília. Massachusetts. Obrigado.
Valdir Silva
Feel I’m goin’ back to Massachusetts
Something’s telling me I must go home
And the lights all went out in Massachusetts
The day I left her standing on her own
Tried to hitch a ride to San Francisco
Gotta do the things I wanna do
And the lights all went out in Massachusetts
They brought me back to see my way with you
Talk about the life in Massachusetts
Speak about the people I have seen
And the lights all went out in Massachusetts
And Massachusetts is one place I have seen
I will remember Massachusetts
I will remember Massachusetts
I will remember Massachusetts