Coloquem o uniforme camuflado, de tênis, disse o sargento depois da instrução da manhã, quase 11 horas, Não era o uniforme de ralo, então não iríamos rastejar nas pistas de pentatlo, nem fazer o percurso de gás lacrimogêneo, não indicado para quem tem claustrofobia: o pelotão inteiro dentro de um túnel totalmente escuro, com gás lacrimogêneo, de máscara, tentando achar a saída rastejando, espaço minúsculo, olhos ardendo. Mas por que o tênis? Logo saberíamos. Hora da educação física. Talvez seja por isto que até hoje corro na hora do almoço. Mas o sargento Marcon estava vibrando muito, e saímos para mais uma corrida, mas uma corrida diferente. Só o PELOPES, e saímos trotando em fila indiana, fomos para as ruas do SMU, e atravessamos o Eixo Monumental, contornamos o Cruzeiro. Pelopeiro, Pelopeiro, Pelopeiro só, eu sou do Pelopes, da Cerimonial. Paulo já revelando seu potencial, biotipo de corredor. Aquelas idas ao quartel de bicicleta me ajudavam. Robilan, Bisol, Pereira, Samartano, Lemes, Rusel, Sydney, Latoh, Probst, Reginaldo, Osmar, Quadros, Teixeira,Valmir, Colla, Tarcizo, Walter, Martins, Pinheiro,Horácio, Henrique, Vando, Donizeti, Vitorassi, Romar, Cardoso, Da Costa, Scapelatto, Baldo, Vicente, todos naquele sol, naquela vibração, a fila indiana se estendia, vamos voltar e pegar quem está para trás, continuamos, ah, ah, agora é só chegar, quando o corpo não aguenta, a moral é que sustenta. Foram 8 km aquela vez, e a entrada no quartel mais vibrante ainda. Vibração de que precisamos hoje, que nos manteve de pé nos últimos 36 anos. Para alguns de nós Deus tinha outros planos, e hoje os reverenciamos com saudade. E após o banho e o rancho, em nosso grêmio tocava Queen. Voltarei a ele. Mas hoje correndo de novo 8km no parque, eu ouço “More than a feeling “, do Boston, um sucesso que para mim representa algumas das melhores coisas do rock clássico dos anos 70, e por um momento estou naquela fila indiana, naquelas ruas, e penso que é mais do que um sentimento a fraternidade que ainda nos une, é a essência de nossas vidas, nossa grande missão: sermos pessoas boas, em cada passo, em cada atitude. Tentamos. Valdir Silva
PELOPEIROS
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