Conheço Patricia Lynn Yearwood desde o início de 1995. Dois anos mais nova do que eu. Sim, a inigualável Trisha Yearwood me acompanha desde aquele difícil ano, me revelando muito do que uma menina da Geórgia é capaz de fazer para trazer alegria e calor a corações abalados pelas intempéries da vida. Seu mundo me parecia familiar mais de uma década antes, mas aquela nova vertente, inaugurando uma nova fase do country – o pai de todos os grandes ramos da música, do blues ao gospel, do pop ao rock – começou a ganhar fôlego com o CMT, e eu mergulhava naquele admirável mundo novo. Sim, eu acho que as melhores vocalistas estão no country, os melhores guitarristas também, talvez porque naveguem em todos os circuitos. Mas aquela paixão, aquela força da natureza, aquela alma, à parte as meninas do gospel, que estão em outro segmento muito específico, somente estão lá. Suas letras acompanham o ciclo da vida, sem medo de parecerem piegas ou impostoras. Vinte e poucos anos se passaram, conheci Martina, Jewel, Miranda e dezenas de outras. Mas vi hoje Trisha com seus olhos faiscantes, com sua voz forte, tocante, mais madura, com um olhar que armazena paixões, decepções, grandes surpresas, a dor, a conquista, as coisas boas e ruins que nos acompanham em nossa jornada, e também a gratidão. Como a que eu tenho por ela pelo consolo que tantas vezes me deu naquela estrada. Como somente uma mulher do country é capaz de fazer. “Thinking about you ” e “I would ‘ve loved you anyway”, com seus ecos de novas esperanças, de descobertas que podiam tornar tudo mágico, a festa e o lamento das guitarras em uma terra distante, representam a vida de Trisha, os anos que passaram, a paisagem que continua a nos encantar. Em todos os locais. A paisagem. As guitarras. Os olhos de Trisha. A vida. Valdir Silva
TRISHA
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