CORRIDA NA NOITE (COLUMBIA)

O livro – grande livro – do Haruki Murakami sobre corridas deu uma bela ideia do que é ser um maratonista amador em uma sociedade de consumo que te exige tantas coisas que, se não tivermos cuidado, podem nos afastar de nossa essência. O mesmo faz Jason Karp em seu excelente “The inner runner “, que comprei em Boston e que está aqui do meu lado, estou terminando, e que grandes insights esses caras nos passam nesta jornada quilômetro a quilômetro. Com certeza já correram de noite. Eu já corri muito de noite, e aquele céu em cinemascope, como se fosse um cenário de La La Land, aquelas luzes que parecem tão distantes vistas do Eixo Monumental, as calçadas recém construídas que nos aproximam daquelas árvores com nomes indígenas, aquele cheiro de frutas não colhidas naquele canteiro central, meus amigos, para mim isto se chama transcendência. Mas correr de noite, asfalto molhado, ouvindo Oásis cantando e tocando visceralmente “Columbia “, é que te lava a alma, que faz aquelas mesquinharias todas que sofremos no dia a dia parecerem piadas inofensivas, mesmo que de mau gosto. Os irmãos Gallagher estavam realmente no auge, fazendo um rock and roll de primeira, suas brigas parecem dar alma àquelas canções do álbum “Definitely Maybe “, de onde esta gema foi garimpada. Para ouvir no mínimo duas vezes em corridas de até 60 minutos. E para que você procure avidamente pelos CDs do Oasis que faltam em sua coleção, naquelas sagradas visitas de sábado aos bons sebos, como farei amanhã. Liam e Noel, vocês fazem falta. VALDIR SILVA

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