TUDO O QUE VOCÊ NÃO PODE DEIXAR PARA TRÁS

TUDO O QUE VOCÊ NÃO PODE DEIXAR PARA TRÁS 

Uma querida amiga estava conversando comigo sobre a inocência e ânimo juvenil de tempos atrás, dos anos 70. E os efeitos da maturidade nisso  tudo. Esta é uma questão importante, porque nos acostumamos a pensar que somos um bloco monolítico “adulto”, o que quer que isto possa significar, o que nos torna, se não tivermos cuidado, em autênticos zumbis aparentando saber tudo de tudo, meio cinzas, sem brilho, nos privando da essência que mantém tudo isto no lugar, esse corpo, essa mente e esse espírito, a duras penas. E, meus pacientes leitores, a chamada vida adulta não traz nada disso , essa sapiência, esse afetado saber; na realidade não sabemos nada, e admitimos isto secretamente, perplexos e meio perdidos. Por isto não menospreze aquela criança, aquele adolescente e aquele jovem que moram dentro de você, e que te sustentam, mesmo com todos os seus títulos e cargos e carros chiques e casas imensas e todos aqueles símbolos de lutas e vitórias, materializadas em bens materiais. Agora, parceiro, é pessoal, como diria o Capitão Nascimento. A maior viagem é aquela em busca do seu eu. Com um começo, meio e evidente fim. Todos presentes e atuantes. Acho mesmo que esse equilíbrio entre as várias fases da vida é nossa grande batalha, o que justificaria ou não nossos atos, não tão louváveis em pleno 2018. Coisas para os psicanalistas e os grandes escritores decifrarem. Carlos Heitor Cony e Arnon Grunberg tentaram muito bem em dois livros que li no mês passado, “Tirza” e “Eu, aos pedaços”, romance e crônicas, e esta questão estava em foco, de modo direto ou subliminar, o mundo é dos inocentes líricos e sonhadores ou dos metódicos, inseridos no sistema de forma obtusa e mecânica? Ou a vida é uma sucessão de absurdos, como Albert Camus deixa claro em “O estrangeiro”Sem inocência, parafraseando Nelson Rodrigues, você não atravessa a rua para comprar um picolé. É ela que te dá a chance de conhecer de verdade aquela pessoa tão interessante, de começar ou recomeçar sem medos, dando a cara a  tapa, que afasta suas ideias preconcebidas, que vai fazer você conhecer muitas coisas absurdamente legais, sem os filtros tendenciosos que são jogados na sua frente, atrapalhando sua percepção da vida real. Já deu para perceber, então, que os ditos ingênuos são, na verdade, os mais espertos, na acepção boa do termo, não a dos “espertos” tupiniquins. E agora a maior ironia, os ditos ingênuos são os que têm a visão mais ampla, sentem tudo o que vai à volta, e assimilam o espaço e o tempo. Percebem as ironias, os olhares maliciosos, as condutas pouco ortodoxas, se situam e absorvem. E seguem seu rumo, conscientes. Têm olhos para ver, coração para sentir. Simples como a pomba, astutos como a serpente. “Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10:16)O que não é pouca coisa no meio de tanta mediocridade. Valeu a experiência.Isto é a maturidade, minha cara amiga, e a dor da inocência, não perdida, mas reciclada a cada momento, vai nos acompanhar para sempre. As pessoas traem. Pessoas queridas morrem. Incompreensões em toda parte. Ouça Don Henley em “The End of Innocence”. Como ele, todos temos um lugar para ir, onde podemos sentar e olhar as nuvens se movimentando no céu, com a grama alta balançando ao vento.Voltemos lá. Sejamos felizes. A volta da inocência. VALDIR SILVA

The End of the Innocence

Don Henley

Remember when the days were long
And rolled beneath a deep blue sky
Didn’t have a care in the world With mommy and daddy standin’ by
But “happily ever after” fails
And we’ve been posisoned by these fairy tales
The lawyers dwell on small details
Since daddy had to fly

But I know a place where we can go
That’s still untouched by men
We’ll sit and watch the clouds roll by
And the tall grass waves in the wind
You can lay your head back on the ground

And let your hair fall all around me
Offer up your best defense
But this is the end
This is the end of the innocence
O’ beautiful, for spacious skies
But now those skies are threatening
They’re beating plowshares into swords

For this tired old man that we elected king
Armchair warriors often fail
And we’ve been poisoned by these fairy tales
The lawyers clean up all details
Since daddy had to lie
But I know a place where we can go
And wash away this sin

We’ll sit and watch the clouds roll by
And the tall grass waves in the wind
Just lay your head back on the ground
And let your hair spill all around me
Offer up your best defense
But this is the end
This is the end of the innocence
Who knows how long this will last
Now we’ve come so far, so fast
But, somewhere back there in the dust
That same small town in each of us I need to remember this
So baby give me just one kiss
And let me take a long last look
Before we say goodbye

Just lay your head back on the ground
And let your hair fall all around me
Offer up your best defense
But this is the end

This is the end of the innocence

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