ELVIS – Então alugamos um grande Tahoe branco, que tive dificuldades para dirigir no início. E lá fomos nós, finalmente Disneyworld, 40 anos e muitos sonhos após, alguns realizados, outros não, nenhum perdido pelo caminho. E Keka disse “quem diria hem pai? Ouvindo Elvis nos EUA!”, e lá estava ele, como que me recepcionando e dizendo, ei cara, congrats, isto é mesmo rock and roll, como te ensinei naquele setembro de 1976!
Aquela casinha tão longe de Vegas, mas aquele gravador National era mesmo bom. Gravou todo aquele show diretamente daquela TV preto e branco. O som era bom, as fitas cassete se multiplicaram, e era como se tivesse descoberto uma fonte de força, poder, sonho, e aquele era um rock diferente, The King em pessoa, acenando com um futuro que ele próprio não teria, mas depois soube que ele não morreu, o corpo talvez, o espírito jamais. Um ano depois a notícia, a comoção. Mas ele continuou, o conheci melhor, suas angústias, buscas espirituais, falsos amigos.
Certa vez pensei, em uma corrida, que esse esporte poderia tê-lo salvo , mas antes da volta triunfal em 1968. Depois da volta do Exército, com Priscila e Lisa Marie. Que conheci correndo comigo a Maratona de New York.
Claro que era filha de um fã. Durante o percurso de ônibus até Staten Island ela me contou sobre sua doença, a recuperação, sua nova vida como maratonista, o trabalho no Texas, e se deslumbrava, como eu, ao olhar a fachada daqueles enormes prédios de tijolos marrons . Ao nos despedirmos, para irmos para nossas saídas, de acordo com nossa numeração, ela me deu um abraço tão caloroso que me deixou emocionado. Foi andando e se virou para acenar para mim. Que sua vida tenha sido e continue sendo iluminada, muitos quilômetros e desafios vencidos, minha querida amiga Lisa Marie.
Mas esta é outra história. Esta é a vida. Esta é a mágica. Elvis Presley sempre nos ensinando algo com seus exemplos e também com seus erros.
E a música tem essa capacidade.
De Brasília a Orlando.
Memphis ou Coimbra?
Passado ou futuro?
Os dois.
Não posso deixar de acreditar. Está gravado.
Naquelas fitas cassete
Pontes seguras sobre águas turbulentas. VALDIR SILVA