FORZA ITALIA
Meu primeiro contato físico com a Itália ocorreu há uns 4 anos atrás, quando a visitei pela primeira vez.
Passei três semanas em Florença, e por mais que se fale a respeito, a sensação de estar em um dos locais mais emblemáticos e bonitos do mundo, um autêntico museu a céu aberto (e fechado), deixa marcas na mente e no espírito.
Fiquei sem palavras ao ver aquela réplica de Davi, de Michelangelo, na Piazza della Signoria, na frente do Palazzo Vecchio, com tantas e tantas estátuas fantásticas, e aquilo para mim teve um simbolismo muito grande, a vida me levou até ali, não sei exatamente como, apenas fui vivendo e as coisas acontecendo. Claro que o original do Davi estava a poucas quadras dali, na Galeria da Academia de Belas Artes, uma obra impressionante de mais de 5 metros de altura, pesando mais de cinco toneladas.
Milhares e milhares de turistas, do mundo todo.
A grande cultura que caracteriza Florença estava em cada esquina, estava no ar que se respirava.
Era como se estivesse dentro de um livro de História.
Certa tarde pegamos o Trenitalia e fomos parar em Veneza.
Sair da estação e dar de cara com o Grande Canal iluminado pelas luzes da noite deixou-me literalmente estupefato.
A rua, as ruas, são os canais. Óbvio que não vi sequer uma bicicleta em Veneza, só se anda a pé e no vaporetto, que é o meio de transporte público deles, são grandes lanchas que percorrem os canais, muito maiores do que eu imaginava.
Muita gente já falou sobre o turismo e a grande cultura italiana. Não farei isto aqui.
O que me marcou muito naquelas semanas na Itália foi constatar, ao vivo, que lá se faz uma das melhores músicas pop do mundo.
Eu ouvia música o dia inteiro, na TV, nas ruas, em todo estabelecimento comercial tinha música tocando, e música pop e rock modernos.
Uma completa e inesperada imersão na música italiana moderna, e na estação de Florença havia uma loja de CDs, e comprei uns vinte CDs, verdadeiras pérolas que, com certeza, jamais encontrarei de novo.
Em Roma comprei mais uns 6 CDs maravilhosos, quem disse que o CD está fora de moda?
Não na Itália.
Ou no Japão, em Tokyo conheci uma loja com 10 andares só com CD’s e DVD’s, mas essa é outra história.
A música italiana tem sido meu refúgio por pelo menos 25 anos.
Tudo começou com Laura Pausini e o CD em italiano do Renato Russo. Depois fui ouvindo e conhecendo muitos outros, Andrea Bocelli quando fui para Goiânia, Eros Ramazzotti, Raf, Claudio Baglioni, Vasco Rossi, Ligabue, Ron, Nek, Biagio Antonacci, Le Vibrazioni, Negramaro, Francesco Guccinni, Tiziano Ferro, Renato Zero, Zucchero, Giorgia, Gianluca Grignani, Amedeo Minghi, Marco Mengoni, Marcela Bella, Emma, Mario Biondi, Gianni Morandi, Fedez, Mango, Zucchero, Noemi, Renato Zero, Marco Masini, Gigliola Cinquetti, Rita Pavone, Wess & Dori Ghezzi e tantos outros, das décadas de 60, 70, 80, 90, os atuais.
Fonte inesgotável.
Muitos e muitos momentos de alegria, dor, esperança, embalados por todos vocês.
Raros foram os dias, nas últimas décadas, em que não tenha ouvido pelo menos umas duas músicas italianas.
Um povo que ama a música, as artes.
Que me emociona também ao fazer homenagens aos pracinhas que morreram em terras italianas na Segunda Guerra Mundial, como vemos na série de vídeos “Grazie Soldato”, que recomendo.
Mas finalmente conheci a Itália.
Era fim de tarde, o sol se punha, a ponte Vecchia em Florença estava lotada de pessoas ouvindo um cantor de rua.
Talento impressionante, voz e violão acoplado a uma caixa. Aquela ponte, aquela paisagem, aquelas pessoas todas lá, vindas de vários países, era como se fosse um recorte no tempo e no espaço, quando foi possível deixar de lado os problemas, os dramas, as faltas de respostas.
Como disse Renato Russo, há tempos meio santos, e digo, também, que há momentos meio santos, únicos, que poderiam ser emoldurados na grande exposição de nossos vida. Aquele, com certeza, é um desses milhares de momentos que povoam minha memória. É algo alegre e, ao mesmo tempo, triste.
Como se todos estivessem absolutamente conscientes de que aquele momento era único, que a vida seguiria, que voltariam para suas casas, seus países, para um futuro incerto e muitas vezes dramático.
Esta semana vi aquela mesma ponte na TV, vazia, com um homem espalhando um produto químico em forma de vapor, para desinfetar o local.
Mas aquele fim de tarde foi mágico, os raios de sol refletidos no fiume, e comprei 2 CDs daquele cantor.
Ontem de tarde saí de casa, fui comprar alguns alimentos, e peguei um CD para ouvir, e era um daqueles CDs.
O dia estava muito bonito, apesar de as ruas estarem desertas.
O medo e a incerteza também estão aqui, no Brasil.