CARTAS PARA SOFIA (DANÇA PARA SEMPRE) – LETTERS TO SOFIA (FOREVER DANCE)

CARTAS PARA SOFIA I (DANÇA PARA SEMPRE)

 

                                   Querida Sofia, minha linda e abençoada netinha!

 

                                   Quero dizer logo neste comecinho que você veio ao mundo muito amada, muito esperada, amparada com muitas orações ainda no ventre de sua mãe, e que tinha música em volta de todos nós durante a gravidez de sua mãe.

 

                                   Vovô vai te contar um pouco da história de nossa família, porque eu gosto de escrever e acabei ganhando a vida escrevendo e conversando.

 

                                   Você vai me conhecer muito mais, desde minha infância lá em São Paulo. Uma história interessante, eu acho,  e fico pensando em você daqui a uns 30 anos lendo essas cartas e pensando, puxa, meu vô é um cara  legal, procurou viver a vida da melhor forma, sempre pensando em fazer o melhor, sem hipocrisia, e que  tem, sim, muitos defeitos que vão sendo melhorados com o tempo.

 

                                     Você nasceu às 3hs da manhã de um mágico dia 03 de maio, quinta-feira. Eu sou aquele homem grandão te olhando pela vidraça da sala de parto, chorando junto daquela linda menina, abraçados, olhando a Keka trazer você ao mundo. Aquela menina é a Sarah, a melhor tia  que você podia ter a sorte de ter neste mundo. É uma menina de vinte e poucos anos, muito inteligente, tem um lindo sorriso, está na universidade e é um farol em nossas vidas. É sensível e prática. Ela ficou do lado de vocês durante toda a noite, na sala humanizada de parto, junto com seu pai, um grande lutador, em todos os sentidos. Vai se orgulhar muito dele.

 

                                     Eu ouvia a Jéssica chorar, e não sabia bem se era ela, eu ia e vinha pelo corredor com o meu inseparável Kindle no  bolso. Mas não conseguia ler um daqueles inúmeros livros, eu orava, e acabei abrindo a Biblia naquele aparelho. Enquanto lia alguns salmos, vi a movimentação no corredor, e vocês foram para outra sala, você já estava prestes a chegar. Eu e Sarah acabamos nos perdendo naqueles corredores, até que finalmente chegamos naquela salinha com a janela de vidro. Era como um sonho, ficamos lá olhando os médicos e enfermeiras, seu pai lá dentro da sala de parto e Jessica, deitada, nos olhava de vez em quando, e acenávamos.

 

                                     Depois de cinco minutos a Sarah começou a chorar  e dizer, “Olha aquilo, está nascendo”, eu também chorava e não conseguia dizer nada, e então ouvimos seu choro. Bem-vinda amada netinha! Colocaram você nos braços de sua mãe, depois seu pai, e de repente te pegaram e te trouxeram para a vidraça, então te vimos pela primeira vez. Linda, como sua mãe. Ficou um pouco ali, depois fizeram algumas análises e então você saiu,  nos  braços de seu pai, para outros exames. Eu e Sarah ficamos ali, observando sua mãe, e então saímos, para esperar vocês irem para  o quarto. Acabamos dormindo sentados na recepção, e lá pelas 6:00hs fomos para casa descansar.

 

                                        Hoje é Dia dos Pais, e por ser pai é que sou seu  avô, então já é  hora de você saber um pouco de todos nós.

 

                                         Sua mãe é uma pessoa incrível, linda, prática e inteligente também, como sua tia  Sarah. Elas são muito parecidas em muitas coisas, nas feições, na voz, no coração.

 

                                         Sarah tem meus olhos, e sua mãe meu andar,  e o estilo e escrita dela é parecido com o meu.

 

                                          Também acompanhei e vi o parto dela, e o da Sarah também, e com certeza foram os momentos mais felizes de minha vida.

 

                                           Jessica é alta, forte, é faixa marrom de jiu jitsu, estudiosa, generosa. Sempre me orgulhei muito dela, e com o tempo vou contar essas histórias. Era uma criança linda, sondaram ela até para fazer propagandas na TV,  pensa em uma criança bonita.

 

                             Fez um discurso emocionante quando terminou o Jardim de Infância, e esse discurso me emocionou muito porque na semana seguinte nasceria a sua tia Sarah, uma gravidez difícil, então a Keka (apelido de sua mãe) era nossa alegria e inspiração, minha e de sua avó, naqueles dias santos.

 

                                            Além do jiu jitsu, sua mãe gosta de dançar.

   

                                          Dança clássica.

 

                                          Muitas e muitas tardes de sábado e noites na semana eu a levava para ensaiar no Teatro Nacional, a escola de balé fazia uma apresentação de gala todo final de ano. Aquele mundo da dança era impressionante, a música, os figurinos, toda a disciplina em torno da arte. Eu ficava lá sentado, vendo os ensaios, e já sabia que aquilo iria ficar em minhas mais doces lembranças.

 

                                         As apresentações eram no sábado e no domingo, e que espetáculo. Grandes bailarinos e bailarinas convidados especiais, profissionais, e já passei a conhecê-los  de nome e a admirá-los, ano após aqueles incríveis anos. Orquestra magnífica, repertório clássico maravilhoso

                     .               Querida Sofia, era algo realmente grandioso, e como eu me orgulhava quando sua mãe entrava no palco, alta, esguia, forte, disciplinada, e em sorriso encantador. Fazia pontas, e interpretou diversos papéis em diferentes anos. Copellia foi um dos que mais gostei. Minha filha, minha vida e esperança de superação em muitos aspectos Ela e a Sarinha, como eu a chamo. Eu falava para Sarinha, quando a levava para a escola, sobre uma peça que escreveria, “SQSW 300”, e dávamos muitas risadas naqueles percursos às 6:30 da manhã, depois te conto estas histórias.  E agora você também, minha netinha, representa  nova fase, novas expectativas, esperanças renovadas, saiba que sempre estarei a seu lado também.

                                      Sua mãe é uma delicada bailarina e também uma grande  lutadora, e vai te guiar na vida como em suaves passos de dança, te mostrando as possibilidades de superar os obstáculos neste grande espetáculo, com paixão, sonho e disciplina. Vovô estará lá naquela plateia, nas cadeiras numeradas, lá atrás,  orgulhoso de vocês, e dizendo, lá estão minhas meninas amadas.

VALDIR SILVA

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