OLHAR DE MÃE

OLHAR DE MÃE

Certo dia eu estava em um ambiente no qual todos haviam perdido a mãe , pessoas adultas que pouco tempo atrás eram alegres, extrovertidas, brincalhonas.
Continuavam assim de certa forma, mas com mais atenção, notei em todos uma espécie de névoa, uma cicatriz essencial, uma tristeza no olhar, que os marcava como integrantes do enorme grupo dos que não têm mais a dádiva de contarem com a presença de suas mães.
Fiquei intrigado com essa constatação mas, ao olhar no espelho, me deparei com aquele mesmo olhar, uma espécie de marca daqueles que passaram por essa perda. Não é algo evidente, não se pensa nisso o tempo todo, há a felicidade possível nesta luta pela vida.
Mas simboliza que aquele acolhimento, aquele porto seguro, permanece dentro de nós em outro plano, como um gerador de força que não encontra limites.
É um amor tão grande que transcende o tempo e o espaço. Já o amor insuficiente, a negligência, são questões que continuam sendo trabalhadas dentro de nós, porque somos todos seres humanos não perfeitos, mas que fazemos o melhor e o possível.
E nesses olhares que vemos por aí, também há uma centelha de alegria e esperança também, e o registro de que a vida é isso mesmo, e que as mães continuam sendo os grandes alicerces de nossa experiência humana.
Dia das mães é dia de parabenizar, de agradecer, de lembrar e de refletir.

VALDIR SILVA

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