A ÁRVORE DA VIDA (NEW YORK CITY MARATHON, 19 ANOS APÓS).
Sofia, hoje é sábado de noite, véspera da Maratona de New York City de 2024.
Como você sabe, vovô é maratonista, e espero que você me veja terminar algumas dessas corridas de 42km195m mundo afora. Claro que se Deus permitir. Mas este ano tem sido de muita luta para emagrecer e combater a obesidade, fiz um trato com sua mãe e tia Sarah para ser um sub 100kg até o fim do ano.
Foco na meta!
Eu estava na praia semana passada, e sempre mandava fotos para elas com essa frase, ao lado de frutas, sucos, meus óculos escuros e o incrível livro do Sérgio Xavier Filho sobre a Maratona de Boston. Elas suspeitam que longe das lentes do celular tinha outro prato, com pães, bolos e bacon. Esse é um segredo que um dia será revelado, mas já emagreci 12kg em alguns meses. Vou cumprir a meta, e o melhor, estou me sentindo motivado de novo para correr as Maratonas, depois de um ano praticamente sem correr. E esse ambiente tem a ver sem dúvida nenhuma com a chegada de novembro e a realização dessa corrida, que ocorre sempre no primeiro domingo. Acho que você já leu algumas crônicas minhas daquela Maratona de 2005, que foi realmente mágica.
Se algum dia você quiser correr uma Maratona, leia meus textos sobre corridas e se lembre de mim.
Nunca corra sem fazer exames médicos, principalmente cardíacos, inclusive ecocardiograma, eu sempre faço apesar de não ter problemas de coração.
Eu também sou psicanalista em formação e agora vejo claramente que estava enfrentando muitas situações que me paralisaram nas pistas de corrida.
Mês passado, na maior seca de Brasília desde sua fundação, passei lá no Parque da Cidade de carro, perto de sua casa, e senti uma grande paz e saudade, aquelas pistas incríveis como que me acolhendo, como fazem há mais de 40 anos. Mas eu estava travado, e agora me solto. Hoje mandei para as meninas um vídeo emocionante do Gustavo Maia sobre a Maratona de New York. Eu também já derramei muitas lágrimas nessas Majors, lá e cá.
Se tudo der certo, você verá a Mandala na sala aqui de casa. O Dráuzio Varela conquistou a dele aos 79 anos de idade!
Mas a Maratona de New York City já me fez chorar aqui mesmo em Brasília, no saguão do aeroporto. Sua mãe tinha 14 anos de idade e foi lá se despedir. Me deu um papel. Então eu lá sentado no embarque, ansioso, sozinho, finalmente consegui ler aquele bilhetinho. Jéssica me desejou sorte, lembrou de momentos difíceis de minha vida, me deu parabéns. Foram as primeiras lágrimas daquela corrida, as outras ficaram lá no Central Park, naquela chegada, um dos momentos mais emocionantes de minha vida.
Quando precisei dela, solitário, ela foi dormir lá em casa, com aquele agasalho laranja da Maratona.
Sua mãe é uma pessoa incrível, boa filha, irmã, esposa. Deus me abençoou muito com minhas filhas e você.
Mas nessa semana da Maratona de Nova York de 2024 algo totalmente inusitado aconteceu na quinta familiar. Vou falar sobre essas quintas em outra crônica. Estávamos eu, ela e Sarah lá, eu dizia que algo muito importante me faltava, que me fora negado por décadas, e que aquilo parecia sem solução. Keka então baixou a cabeça, pensativa, e o milagre aconteceu.
Levantou a cabeça e disse, olhe isso, apontando o celular, perplexa. Todos os três.
Ontem eu estava na recepção da dentista, Keka me mandou um desenho.
Eu estava lá.
Chorei no carro, tentando assimilar tudo aquilo.
Sua mãe fez de novo, me fez chorar às vésperas da Maratona de New York City.
Dias mágicos aqui e lá.
Vocês são minha vida, e por isso continuo aqui, contando minhas e suas histórias.
Ano que vem estarei lá, talvez com vocês, e nossa árvore continuará frutificando.
Os milagres acontecem para quem acredita neles.
VALDIR SILVA