CORRENDO EM WASHINGTON  (RUNNING IN WASHINGTON)

MARINHA E A VIDA – Nesta semana minha querida tia Rosária faria aniversário. Dediquei a ela a Maratona de Chicago que corri em 2016, e realmente senti  falta dela nestes dias.

Gostaria de ter contado a ela que Washington é bem diferente de São Paulo, que o cheiro da noite lá é bem característico, outras árvores, outro hemisfério.

E que certa manhã saí correndo pelas ruas antes de ir para meu compromisso na capital americana, algo totalmente inusitado e diria mesmo impressionante. Fiz meu aquecimento no enorme campo de baseball ao lado do hotel, liguei meu iPod e fui trotando ao lado daquela enorme cerca de árvores muito bem cuidadas. Fiquei pensando o que seria aquilo e de repente vi uma enorme âncora na entrada de uma guarita, e havia vários Marines de Guarda. Era a residência do Vice-Presidente dos Estados Unidos. Os soldados me acenaram para eu seguir em frente, atravessando a rua. Era uma descida, e quando vi estava na frente da Embaixada do Brasil, com uma estátua de Churchil bem na frente. Então dei meia volta e a descida virou subida, e aquele rock clássico é que me empurrava. E ao ver de novo aquela âncora sabia que estava no meio do percurso. Mas não sei porque dessa vez foi diferente. Três Marines me fizeram continência e indicaram a passagem. Sem cobertura e de roupa de corrida retribui a continência e agradeci. Impressionante, e no dia seguinte fiz o mesmo no Cemitério de Arlington, onde repousam os guerreiros do país amigo. Cerimonial diferente. Lembrei claro dos irmãos da Cerimonial e no passado e no futuro. Havia uma liga que nos unia e transcendia o tempo. Fiz outras corridas em Washington naquelas três semanas, visitei os memoriais da Segunda Guerra, do Vietnã e da Coréia. Comprei a insígnia dos Airborne que nos garantiram a Vitória. Mas aquelas continências me intrigam até hoje. Eu corria com o boné que usei quando voltei para as maratonas, com a bandeira do Brasil bordada. Sempre uso esse boné em todas as maratonas. Minha tia ficaria impressionada com estas pequenas grandes coisas que dão sentido à vida.

Vida na qual pensei tanto nesta semana em que ídolos, inocentes e colegas se foram. Cada um cumprindo sua história. Que Deus tenha dado a vocês uma vida boa, apesar dos dramas, doenças, injustiças.

O sentido da vida? Ser vivida. Sem medo. Com fé. Tom, Ítalo, irmãos mineiros e americanos, continuamos com vocês. Com a ajuda de Deus. VALDIR SILVA

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