Passados 22 anos aquela foto continua a me impressionar por tudo o que representa um olhar sem máscaras capturado em um momento feliz. Aquela menina está também nos braços do pai, em uma das praias que nos remetem àquelas ondas, em que éramos aventura e também porto seguro. Tenho algumas dessas, com minhas filhas, e são tesouros preciosos. Mas o álbum em questão não era um álbum fotográfico, mas uma obra prima de Charlie Watts e seu Quinteto, uma magnífica coleção de standards que o baterista dos Stones lançou em 1995, mais ou menos, no álbum “Warm and Tender “. Pérolas do jazz, com Bernard Fowler nos vocais. Dezenas de standards a serem completados no álbum seguinte, “Long ago and far away “, com Charlie remetendo à Humphrey Bogart naquela foto da capa. Naquela época não havia ainda Internet, ninguém podia imaginar que obras de arte como aquelas, música e encartes e fotos e letras, se perderiam em um mundo digital. As músicas você encontra, como aqui, mas aquele sorriso naquela produção, naquela programação visual e tátil, lamento dizer, não encontrará senão em novas edições limitadas ou viajando em coleções de amigos. Mas os CDs eram magníficos, e comprei 3 em diferentes fases de minha vida. “It never entered my mind” e My Ship”, daqueles álbuns, nos levam ao mundo de Lorenz Hart e Richard Rogers, Kurt Weill e Gershwin. Trabalho ouvindo eles e centenas de grandes nomes do jazz. O sorriso levemente se pronuncia ao olhar pela janela, ao fim de mais um dia, ao som daquele sax e da batida de Charlie. Warm and Tender. E aquela imagem. VALDIR SILVA
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