JAMAICA, VERA FISCHER E RENATO RUSSO EM PALMAS, TOCANTINS
Com certeza já falei disto neste site, ou em outro lugar, mas como é um inevitável clássico dos cronistas, volto ao tema.
A questão da inspiração.
E acho que a vida de todos nós é tão incrível, tão impressionante, tão rica, que sempre teremos algo a falar, alguma reflexão a fazer que causará impacto, primeiro em nós mesmos, depois em quem tiver a oportunidade de ler o que colocamos no papel e nessas modernosas telas de led.
Claro que você tem muito a falar, e tem muita gente interessada em saber o que vai por sua alma e os acontecimentos que te levaram a ser o que é.
Jamais menospreze isso, não seja tão exigente, simplesmente vá lá e escreva. Esse ato pode fazer uma enorme diferença em seu estado de espírito, pode comover pessoas que não desconfiavam o que ia portrás de seus atos e reações.
Eu tenho muitas coisas que ainda não coloquei no papel, e fico impressionado com a catarse que escrever sobre minha vida, meus anseios, minhas experiências, tem provocado em mim.
Funciona assim: estou trabalhando, ou na rua, ou em casa, nas mais variadas situações, e de repente me vem à cabeça algum episódio ou algo que eu acho que vai ser interessante escrever. Então eu anoto em um bloco que sempre carrego – na verdade, as folhas destacáveis do bloco – Hoje são aproximadamente 130 anotações, com o tema básico, alguma música que me remete àquilo.
Todas as canções que acompanham meus textos têm uma razão para estar lá, nenhuma é aleatória. Então é só sentar e escrever. É algo vital, necessário. Porque hoje em dia é praticamente impossível conversar com alguém à maneira clássica, um fala, outro responde, uma pequena interrupção, um gole de café, e mais uma resposta, uma observação, uma risada.
As pessoas ficam o tempo todo olhando para a telinha do celular, trocando mensagens, não ouvindo você. Aí pedem, espera só um minutinho que é urgente. E ficam teclando três preciosos minutos de suavida. Que jamais voltarão.
Uma tremenda falta de educação, perdoem-me por falar isto. Ou seja, às duras penas você consegue encontrar os amgos, familiares, e eles ficam teclando e com um ligeiro ar de zumbi. Terrivelmente frustrante isso. Eu tenho procurado me policiar cada vez mais quanto ao celular, no que ele significa para aproximar as pessoas que estão distantes, mas afastando as que estão aqui, ansiando por uma palavra e por uma troca de olhares que dure mais do que um segundo.
Troque o calor da bateria nas suas mãos pelo calor humano daquele ser aí na sua frente. Ou ao lado, sofrendo calado e decepcionado com sua digitalizada pessoa.
Como podem perceber, estou farto dessas relações insípidas, inodoras e incolores.
Mas tenho encontrado pessoas de carne e osso, na vida real, que têm me feito muito bem.
A escrita ajuda a navegar nesse mar de desencontros, mas também de encontros importantes.
Corte no tempo e no espaço.
Era uma terça-feira, no restaurante do Castro’s em Goiânia. Ela iria ser operada na manhã seguinte. Ao mesmo tempo, minha mãe na UTI em Brasília.
Ela disse para levar o I PAD para o jantar, precisava ver algo.
Eu muito preocupado, pensando em muita coisa, em como estamos sozinhos quase o tempo todo, em como é importante se fortalecer, encontrar apoio em Deus – não na religião, esta falha e feita pelos homens pelos mais diversos motivos, geralmente não espirituais. Mas ela então me passou o I PAD e lá estava eu, meu próprio site, meu próprio domínio na internet para colocar meus textos, então espalhados pelas mais diferentes gavetas.
Fiquei realmente emocionado,era algo que eu queria fazer há muito tempo e não conseguia. A velha desculpa da agenda apertada (vou escrever sobre isto no futuro).
Sua amiga Daniela, apresentadora de TV, super ocupada, ajudou, e a história de ambas são dramáticas, de dor, superação, tristeza, mas também de alegria. Daniela sempre presente nos momentos difíceis.
Ana luta muito, procura opções, nunca se entregou. Grande exemplo. Agora está tateando no mundo das corridas, e eu realmente acredito que essa atitude pode mudar sua vida da água para a vinho.
Vida nova em três sessões por semana, cinquenta minutos cada uma, andando e dando pequenos trotes de um minuto. Minha receita, o que tem me sustentado por décadas nessa rotina insana.
A vi hoje pela janela, chegando embaixo do prédio, com meu boné da Maratona de New York e meu fone de ouvido.
Quatro da tarde, sem almoço ainda. Vivemos aqui uma rotina de turista no exterior, almoços no fim do dia. Tem funcionado.
Mas a observei e vi ali a força que a maioria de nós anseia, muitas vezes sem sucesso.
Ana, obrigado.
A saga de Dani continua na Irlanda, deixando os traumas para trás, na incessante busca. Conte conosco aqui nos trópicos.
E nossa saga continua também aqui em casa, no meio de tantos livros e de tanta esperança.
Nosso lar, com a proteção de Deus.
E aqui nos papéis destacados do bloco estão anotadas a história do Jamaica,trabalhador inteligente,intuitivo e valente, admirador de Bob Marley, um gigante na defesa de seus colegas naquela grande obra, e como eu e meu amigo de batalha conseguimos devolver o tratamento digno para todos eles, milhares de trabalhadores explorados; de como Vera Fischer apareceu lá em nosso caminho, e o advogado admirador do Renato Russo também, quando conversamos sobre o magnífico CD em italiano“Equilíbrio Distante” e seu tecladista virtuose, amigo do advogado, em uma mesa empoeirada, sendo observados ao longe, mas iluminados no dia seguinte por uma lua cheia enorme ao atravessarmos o Rio Tocantins de madrugada.
Não, não é ficção, é a vida nos surpreendendo no dia a dia.
Tem também o esboço sobre o Reginaldo, muito orgulhoso com nossa Cerimonial ensaiando a Ordem Unida sem Comando, certa manhã de setembro, o que vou relatar em minha série sobre os tempos de caserna. Reginaldo que aparece aqui em uma foto com o Teixeira, encontrado esta semana, depois de 37 anos.
Grande PELOPEIRO e GRANADEIRO.
Os sabres continuaram caindo nas últimas décadas, e nós os recolhemos e recomeçamos. Esse é o simbolismo da vida.
Caímos também do bandeirão e sobrevivemos, e quantos bandeirões ainda temos que transpor.
Não, ninguém será será deixado para trás. E vamos encontrar um jeito de resgatar nosso irmão que saiu do grupo, e que também aparece aqui ao lado, na foto postada hoje, sábado, 02/06/2018.
E sigo analisando aqueles papéis, e lá estão os esboços sobre a empatia, a falibilidade do corpo, produzindo emoções e lembranças, meu pai ausente, pessoas que não evoluem – não se engane – , momentos épicos, o poder dentro de nós, a teoria dos arcos, de minha autoria, sobre as opções que precisamos fazer na vida finita, meu encontro com o IRA!, com oLobão, com o Gikovate. Nosso batismo ano passado, com direito a minha música favorita, cantada por quem muito admiro, e nada combinado. Muita coisa a ser dita, e conto com a paciência de vocês.
Livraria.
Noite de quinta feira passada.
Leio aquela introdução no livro e não consigo evitar as lágrimas. Algo naquela frase me tocou profundamente, e um filme passou na minha cabeça – desculpem o cliché absoluto e inafastável.
Duas filhas honrando seu pai, contando sua épica história.
Erika e Sandra. Não são mais anônimas, e seu gesto mais me convence de que, sim, nossas histórias precisam ser contadas. É o que tento. VALDIR SILVA